Tantra: saiba o que é e um pouco de sua história

Muitos não sabem, mas o Tantra é uma ferramenta de expansão. Ele precede do Budismo e das crenças hindus, se preocupando com a autorrealização e desenvolvimento do ser humano. Portanto, renuncia tudo que é mundano e aproveita toda a potência que uma pessoa possui para que ela encontre a felicidade.

Na verdade, ele é uma ciência, porém, muitos o entendem como religião ou fé. Suas raízes estão em algum lugar dentro da pré-história das religiões indianas.

Vamos aprender o que é o Tantra ao longo desse artigo. Portanto, continue acompanhando e entenda mais sobre essa ciência que proporciona incríveis experiências ao seu humano. Boa leitura!

Afinal, o que é Tantra?

A palavra Tantra vem das raízes sânscritas “tanoti” ,que significa “expandir” e “trayati” que diz “libertação”. Por isso, podemos entender que por meio da expansão da consciência, a liberação é alcançada. Não há um texto ou escritura tântrica fundamental – há muitos.

Sutras podem tomar a forma de uma conversa entre os amantes Divinos, Shiva e Shakti, os princípios arquetípicos masculinos e femininos. Mas também a forma de uma canção, cantados em êxtase. 

Por exemplo, a Canção de Saraha é uma comunicação espontânea e direta da íltima realidade. Mas a sua comunicação é via metáfora, que tem a capacidade de transportar o ouvinte para uma dimensão mais profunda. Saraha era um budista tântrico do nono século, que introduziu a prática de mahamudra, significando o “grande símbolo”. 

O Tantraloka, compilado por Abhinavagupta e escrito no século XI, é um resumo de muitos Tantras, porém que foram escritos anteriormente. Inclui o conteúdo dos três ramos do Shaivismo de Caxemira, incluindo os sutras de Shiva, originados diretamente do próprio Shiva.

Um dos mais antigos Tantras conhecidos, o Vijnanbhairava Tantra, que tem mais de 5000 anos, faz as duas coisas. Afinal, é um diálogo entre os Divinos amantes, o princípio masculino e feminino. O tantra envolve completamente o mundo físico. Portanto, nada é separado do Divino. 

O tantra nos convida a entrar profundamente na experiência de cada um dos nossos cinco sentidos, mas com consciência e presença. Ao fazê-lo, é possível encontrar a essência, a Unidade de todo o ser.

“Imagine os cinco círculos coloridos de uma pena de pavão para ser seus cinco sentidos disseminados em espaço ilimitado e residir na espacialidade de seu próprio coração.”

Um casamento interior

Em vez de renunciar ao corpo, o Tantra defende o casamento interior da energia e da consciência – tornando-se aguda e intimamente consciente dos processos sutis de energia dentro e além do corpo físico e, ao fazê-lo, transcendendo o físico.

“Se você meditar em seu coração, no centro superior entre seus olhos, a faísca, que dissolverá o pensamento discursivo, se inflamará, como ao escovar as pálpebras com os dedos. Você então se derreterá na consciência suprema.”

No Tantra, o princípio masculino, ou Shiva, é uma representação da consciência pura e da contenção. O princípio feminino, Shakti, é energia pura. O casamento da energia pura com a consciência é o Tantra, a união.

“Quando você percebe que está em tudo, o apego ao corpo se dissolve, e alegria e felicidade surgem.”

Um dos princípios principais no Tantra é que os sentidos são portais para o Divino.

“No momento de euforia e expansão causada por alimentos e bebidas delicadas, seja total nesse deleite e, através dele, prove suprema bem-aventurança.”

Nós comemos e bebemos todos os dias. Portanto, é possível se abrir completamente às sensações de comer e beber e saborear o que está além do físico. 

Isso pode ocorrer quando o praticante está totalmente presente no momento. Permitir-se tornar-se totalmente absorvido na sensualidade é, em si mesmo, uma prática de meditação, que desenvolve a presença.

“Ao estar totalmente na presença de uma música, de melodias, entre na espacialidade com cada som que se eleva e se dissolva nele.”

Tantra Vijnanabhairava

Além disso:

“No verão, quando seu olhar se dissolve no infinitamente claro céu, penetre essa luz que é a essência de sua própria mente.”

Tantra Vijnanabhairava

História

O Tantra não é uma religião, embora a simbologia e as práticas tântricas tenham surgido ao longo da história em todas as religiões e culturas. As representações da união sagrada dos princípios masculino e feminino, e a não-dualidade deste “casamento interior sagrado” podem ser encontradas em 2000 A.C, na civilização do Vale do Indo e no antigo reino egípcio.

Os princípios tântricos são inerentes ao judaísmo místico (Cabala), cristianismo e sufismo. O taoísmo chinês é outra vertente do tantra.

O Tantra mais obviamente surgiu na Índia, entre 300 e 400 D.C, quando os primeiros textos tântricos hindus e budistas foram escritos. Porém, como metáforas poéticas apontando para a unidade e o amor divino. 

Esses primeiros escritos foram propositalmente obscuros, de modo que apenas os iniciados pudessem entendê-los.  No entanto, os ensinamentos tântricos eram muito bem guardados e transmitidos oralmente do mestre para o discípulo somente após longos períodos de preparação e purificação.

Mas o clímax do Tantra foi atingido nos séculos XI e XII, quando foi praticado amplamente e abertamente na Índia.  O Tantra refutou a noção prevalente de que a libertação só poderia ser alcançada através de um rigoroso ascetismo e renúncia ao mundo. 

Tântricos (iogues tântricos) acreditavam que o sofrimento humano surge da noção equivocada de separação. Defendia a celebração do sensual e, ao fazê-lo, transcendência do físico.

A prática

O Tantra foi e ainda é praticado em três formas principais: a tradição monástica, a tradição de chefe de família e os iogues errantes. 

Enquanto o hinduísmo tinha muitas regras e leis, incluindo divisões rígidas de castas, o Tantra era totalmente não-confessional e podia ser praticado por qualquer pessoa, mesmo na vida cotidiana.

Assim, meditações sobre tecelagem, por exemplo, poderiam ser praticadas por tecelões, ao contemplarem a natureza entrelaçada e indiferenciada da existência, enquanto meditações sobre comer, beber e fazer amor poderiam ser praticadas por reis e rainhas.

Com a invasão da Índia no século XIII, houve o massacre generalizado de tântricos e a destruição de seus manuscritos. 

O Tantra foi para o subterrâneo, onde permaneceu predominantemente desde então. 

O budismo tântrico foi notavelmente preservado nos mosteiros do Tibete. Após a invasão chinesa do Tibete, quando monges e freiras foram assassinados e manuscritos foram destruídos, aqueles que escaparam encontraram maneiras de disseminar sensivelmente esse conhecimento de forma mais ampla.

Divisão dos caminhos tântricos

É costume dividir os caminhos tântricos em dois setores. Aqueles onde o praticante individual trabalha com sua própria energia sexual, principalmente internamente, são chamados de caminhos “destros” ou “tantra branco”. 

E também há abordagens tântricas que envolvem contato sexual direto entre parceiros amorosos, e estes são chamados de Tantra “canhoto” ou “tantra vermelho”. Esses termos, no entanto, fazem parte de um sistema mais moderno de classificação.

No oriente, hoje, as práticas tântricas tradicionais podem ser encontradas dentro da tradição budista tibetana. No entanto, através das escolas de Kundalini e Kriya também é possível, pois elas são caminhos destros.

Há também a tradição taoísta, que foi apenas ligeiramente modificada, e este é um caminho canhoto. 

Daniel Odier foi iniciado por Lalita Devi no Himalaia, na linhagem do Kasmimir Shaivismo. As principais práticas que ele ensina são a meditação sentada, a “tandava”, uma forma de movimento livre muito sutil, onde os praticantes entram em contato com estados cada vez mais refinados do “tremor divino” – uma ressonância com a essência da vida e massagem energética da Caxemira.

Tradicionalmente, os mestres tântricos não se anunciavam, e isso ainda é verdade hoje em dia. Porém, muitos existem, particularmente na Índia, e tenho certeza também no Ocidente.

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